Danças tradicionais gaúchas

REPERTÓRIO COMPANHIA DE DANÇA ENTREVERO CULTURAL:

As danças que fazem parte do repertório da Companhia de Dança, estão impregnadas no verdadeiro sabor crioulo do Rio Grande do Sul, são legítimas expressões da alma gauchesca. Danças que sufoquem a teatralidade do gaúcho, ou que venham colidir com o respeito que o gaúcho nutre pela mulher, jamais poderiam ter vingado no ambiente gauchesco. Estas danças são gaúchas não porque tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas porque o gaúcho lhes deu música, detalhes, colorido e alma nativa.

Todas as informações aqui descritas, foram retiradas do livro “Manual de Danças Gaúchas”, de Paixão Cortês.

“Nada mais universal que o folclórico; nada mais regional que o folclórico. São universais os elementos; são regionais as combinações. Pois o que confere a fisionomia regional a cada região, não é tanto a matéria original como o produto de suas especiais e singulares maneiras de superposição e mescla”. (Carlos Vega, musicólogo argentino).

  • CHIMARRITA:

Quando os colonos açorianos, na segunda metade do século XVIII, trouxeram ao Rio Grande do Sul a “Chamarrita”, esta dança era então popular no Arquipélago dos Açores e na Ilha da Madeira. Desde a sua chegada no Rio Grande do Sul, a “Chamarrita” foi-se amoldando às subsequentes gerações coreográficas, e chegou mesmo a adotar, em princípios do século XX, a forma de dança de pares enlaçados, como um misto de valsa e chotes. Do Rio Grande do Sul, a dança passou ao Paraná, São Paulo, bem como as províncias argentinas de Corrientes e Entre-Rios, onde ainda são populares as variantes “Chamarrita” e “Chamamé”. Em seu feitio tradicional, a “Chimarrita” é dança de pares em fileiras opostas. As fileiras se cruzam, se afastam em direções contrárias e tornam a se aproximar, lembrando as evoluções de certas danças tipicamente portuguesas.

  • PEZINHO:

Constitui uma das mais simples e ao mesmo tempo uma das mais belas danças gaúchas. A melodia do “Pezinho”, muito popular em Portugal e nos Açores, veio a gozar de intensa popularidade no litoral dos Estados brasileiros de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É necessário lembrar que o “Pezinho” é a única dança popular rio-grandense em que todos os dançarinos obrigatoriamente cantam, não se limitando, portanto, à simples execução da coreografia. O “Pezinho” pertence a uma geração coreográfica especial, que apresenta duas figuras características: na primeira, há uma marcação de pés e na segunda os pares giram ao redor de si próprios, tomados pelo braço. Sua ingenuidade e sua ternura é que o fizeram a dança predileta dos tradicionalistas rio-grandenses.

  • CANA-VERDE:

A “Cana-Verde” chegou a Portugal, e se tornou popular em vários Estados brasileiros. Naturalmente foi adquirindo cores locais, em cada região e desta forma produzindo variantes da dança-origem. Cada par, de “braço-dado”, passeia no sentido dos ponteiros do relógio, um atrás do outro, enquanto o músico executa uma introdução. Uma vez fechado o círculo, as moças realizam um giro-saudação, tomadas pela mão direita dos cavalheiros; soltam-se as mãos, e os pares se postam frente-a-frente, à espera da dança. Dois círculos são formados: o de homens por fora, e de damas no centro. À voz de “Agora! ” – dada pelo músico – tem início o canto e a dança. Tal como no “Caranguejo”, os dançarinos todos podem cantar enquanto dançam.

  • QUERO-MANA:

Constitui uma das danças do antigo “fandango” gaúcho. Foi popular também em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Desde fins do século XIX, a “Quero-Mana” foi perdendo lugar, nos bailes campeiros, mas então adquiriu uma nova força vital que a fez perdurar até os dias atuais. Consiste em uma dança grave, executada por pares soltos mas dependentes.

  • CHOTE DE DUAS DAMAS:

Dentre as diversas variantes que o “chote” apresenta, no ambiente gauchesco do Rio Grande do Sul, existe uma bastante curiosa, e que se presta mesmo a estudos bem profundos, visto que cada homem dança com duas mulheres. Esta modalidade é realmente excepcional, não só no meio rio-grandense como no meio universal. A principal característica do “chote de duas damas” em relação aos demais “chotes”, é por possuir em 8 compassos, 4 passos de polca e 8 passos de marcha.

  • CHOTE DE RODA:

Esta maneira de bailar o chote, pode ser classificada como “dança de par enlaçado semi dependente grupal”. Cada par executa individualmente a “marcação fundamental” do chote, porém em uma disposição de roda. Isto é, em 2 círculos concêntricos: os cavalheiros pelo lado de fora da roda e as damas de dentro da mesma. Quando se efetiva a troca de par, todos a executam no mesmo momento, conservando a disposição de duas rodas. Encontramos duas maneiras de dançar o chote de roda: à Moda do Litoral e a outra de forma Serrana.

  • TIRANA DO LENÇO:

Foi uma das danças espanholas mais difundidas na América Latina. Entre os gaúchos, a “Tirana” adquiriu uma característica toda local, e se desdobrou em uma série de variantes, nas quais predominavam ora as características das danças sapateadas, ora as características da geração das danças em conjunto, sob comando.

“As tiranas, foram as danças prediletas do gaúcho sul-riograndense, que também gostava de bailar os outros sapateados, a Chimarrita, muitas vezes valseada, e as danças platinas. Assim como hoje existem muitas valsas, muitas quadrilhas, existiam também diversas tiranas: tirana grande, tirana de dois, tirana tremida, tirana dos Farrapos. ” (Cezimbra Jacques)

Um dos elementos que animam a coreografia desta dança é o lenço, usado tanto pelos homens como pelas mulheres. Note-se, porém, que o lenço utilizado é pequeno (tamanho “de bolso”). Não se trata do lenço de pescoço grande.

  • RANCHEIRA DE CARREIRINHA:

Para dançar a Rancheira, o par se enlaça como na Valsa, e executa passos de rancheira, para o lado, para a frente, para trás, girando, etc., e bate fortemente o pé quando se trata do primeiro tempo de cada compasso. A
Rancheira constitui uma variante pampeana da “Mazurca”. Ainda nos dias de hoje é popular no Uruguai, na Argentina e Rio Grande do Sul. A Rancheira de Carreirinha é uma variante bastante simples da Rancheira. A introdução, pode ser executada de duas formas: ou o par enlaçado dança uma “Rancheira” simples, ou então o cavalheiro, soltando-se de sua companheira, executa um sapateio ternário enquanto a dama sarandeia. Quando se inicia o canto, ocorre então a figura característica dessa dança: passos de juntar e a carreirinha.

  • CHULA:

A “Chula”, se enreda em um verdadeiro pandemônio, dentro da bibliografia folclórica brasileira. Alguns estudiosos são essa cantiga como originária do Minho e do Douro (Portugal), onde foi “arvorada em hino nacional”. Outros, pelo contrário, confundem-na com o lundú ou a aproximam do baião, dando-lhe procedência totalmente brasileira. Consiste em um desafio, executada somente por homens, onde estende-se no chão uma vara de madeira com a espessura de um cabo de vassoura, medindo cerca de 4 metros de comprimento. Ao som de música certa, eles se desafiarão executando um de cada vez, complicados passos de um lado e outro da vara, avançando primeiro, depois recuando até o lugar inicial. Executada uma figura, por um dos dançarinos, o outro vem repeti-la, e se consegue repetir, logo apresenta uma nova figura, mais aperfeiçoada e complicada, e assim sucessivamente. Será desclassificado o dançarino que perder o ritmo, se afastar da música, errar o passo, deslocar com os pés a haste da madeira, ou ainda, que não puder repetir com exatidão o passo executado antes por seu adversário. E será vitorioso o dançarino que apresentar uma figura que seu adversário não consegue repetir.